terça-feira, 6 de março de 2018

PARTE V
Os Trophéos da Brigada Militar: NÃO CHEGOU A HAVER INQUERITO NO TEMPO DO SR. JOAQUIM BARATA – PRESTES A SER CONCLUIDO O INQUERITO POLICIAL – PRISÃO PREVENTIVA CONTRA UM EX-THESOUREIRO DA POLICIA? (escrita da época)

     Tendo sido propalada a noticia de que ao tempo do Juizo da Corregedoria das Comarcas houvera um inquerito para apurar o paradeiro dos trophéos e joias pertencentes á Brigada Militar do Estado, a FOLHA procurou colher informações a respeito, chegando á conclusão de que não foi instaurado o inquerito referido.
     O que se passou com relação ao assumpto, não passou de providencias preliminares no sentido de serem os ditos objectos entregues ao Instituto Historico.
   Assim, o capitão Napoleão Jansen de Sá Meirelles, commandante da extinta Companhia de Estabelecimento, em 5 de junho de 1934, officiou ao sr. interventor Joaquim Barata, propondo que fossem entregue á guarda do Instituto Historico e Geographico do Pará, os trophéos e joias de ouro e brilhantes, pertencentes a Brigada Militar, declarando nesse officio, que tem o numero 544, que melhor seria estarem no Instituto, á disposição do publico, do que “guardados a sete chaves numa burra”.
     Ainda no mesmo officio, informou o capitão Meirelles, actual major do B. C. da Força Publica, que constava estarem as joias e trophéos depositados na Secretaria da Fazenda, então confiada á direcção do dr. Clementino Lisbôa.
   O major Joaquim Barata, de posse desse officio, enviou-o ao procurador geral do Estado, desembargador Jorge Hurley, com o despacho mais ou menos assim:
     “De accôrdo. Ao dr. Hurley, para em meu nome, dar as providencias necessárias a satisfazer esta suggestão”.
     De posse desse officio, o procurador geral, que tambem era e é ainda o presidente do Instituto Historico, enviou ao commandante da Companhia de Estabelecimento o seguinte officio:
     “Em 30 de junho de 1934. – Illmo. Sr. capitão commandante da Companhia de Estabelecimento Militar do Estado – A fim de dar cumprimento ao despacho de s. exc. o sr. major interventor, contido no officio n. 514, de 3 de junho do anno corrente, solicito a v.s. a fineza de fornecer-me dados e seguras informações, atraves dos documentos a respeito das joias, medalhas, bandeiras, estatuetas, batutas, passadores e mais artigos pertencentes á Força Publica do Estado, a fim de serem relacionados e incorporados ao patrimonio do Instituto Historico e Geographico do Pará, conforme proposta de v. s. aceita por s. exc. o sr. major interventor. Saudações. – (a) Jorge Harley, procurador geral do Estado.
     Tambem o desembargador Hurley, ouviu o coronel Alberto de Mesquita, que lhe officiou apoiando a ideia do capitão Meirelles e dizendo que, quando entregou o commando da Brigada, ao tempo da revolução triunphar, deixou as joias e trophéos na sala do commando geral, onde sempre estiveram trancados em vitrine.
    Volveu o capitão Meirelles a officiar a Procuradoria Geral, dizendo que no cofre daquella Companhia existiam apenas tres batutas de ebano, com inscrustações de prata, alguns passadores de ouro destinados a officiaes, passadores de cobre e prata, e que os outros objectos de maior valor consta do mappa carga, onde deveriam estar relacionados os seus destinos.
Essa resposta chegou á Procuradoria dois dias antes do desembargador Hurley deixar o cargo de procurador geral, em virtude do impedimento constitucional.
     Á vista do exposto, o desembargador Harley entendeu-se pessoalmente com o sr. Barata, fazendo-lhe crér que o Instituto Historico, não tendo sede para guardar os trophéos e joias de ouro e pedras preciosas de alto valor, seria melhor deixal-os onde estavam trancados, “numa burra a sete chaves” na Secretaria da Fazenda, segundo a relato do actual major Meirelles.
Esse alvitre foi acceito pelo sr. Barata e ficaram os referidos officios no arquivo da Procuradoria Geral, onde actualmente se acham.
     Não houve portanto inquerito propriamente dito na extincta Corregedoria, a respeito de taes joias e trophéos como, por equivoco informara á Policia um official que alli depoz.
     Essas informações, segundo ouvimos, foram prestadas ao sr. chefe de Policia, que teria officiado ao desembargador Jorge Harley sobre os factos ora relatados.
     O inquerito policial está em vias de conclusão.
    Segundo colheu a nossa reportagem, o inquerito policial a cargo do dr. Salvador Borborema, 3.° delegado auxiliar, está em fase de conclusão.
     Para isso faltam apenas algumas providencias, que estão sendo tomadas, devendo o inquerito ficar concluído dentro do previsto da Prissão preventiva para um ex-thesoureiro da Policia?
   Como foi noticiado falamos que o ex-thesoureiro da Policia, sr. Marcolino Carvalho, está envolvido nesse remoroso caso.
   Constatou á nossa reportagem que o referido ex-funcionario, deverá chegar a esta capital num dos proximos navios esperados do sul, em virtude de prissão preventiva requerida pela policia desta capital á do Ceará, onde se diz encontrar-se Marcolino Carvalho. (escrita da época)

Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 01 de 10 MAR 1936 – Biblioteca Artur Vianna

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