quarta-feira, 21 de março de 2018

A CRIAÇÃO DO MUSEU GOELDI E A PARTICIPAÇÃO DA PM: MAJOR PM BAENA DOANDO ARTEFATOS E OBJETOS DO COMBATE DE CACOALINHO

A história nos reserva surpresas quando começamos a nos aventurar e ir atrás de fatos e relatos que possam lançar luzes sobre a história da corporação. No último dia 15/03/2018, após participar na Catedral da Sé da belíssima missa em comemoração aos duzentos anos da PMPA fui ao Centur ler algumas coisas do passado.
Pude encontrar, entre os recortes de jornais um relato interessante da lavra de Ernesto Cruz, datado de 1967 que apresentava a história do Museu Emílio Goeldi quando de sua formação, o que me chamou atenção pelo fato de o Major Antônio Nicolau Monteiro Baena, o qual foi Comandante-Geral da PM em 1876 estar entre os doadores de artefatos, vinte e oito ao todo, para formar o acervo do Museu. Assim como a existência, no Museu, já sob a administração de Emílio Goeldi de seis armas apreendidas com os revoltosos no combate de Cacoalinho, episódio esquecido pela historiografia, mas que tinha entre os amotinados Veiga Cabral, que após preso e deportado para o Amapá, acabou por tornar-se herói do contestado.
Tudo isso corrobora com o slogan adotado pela PM para as comemorações do seu bicentenário.
"Polícia Militar do Pará: patrimônio da sociedade paraense."  Passemos à transcrição:

BIBLIOTECA DO PARÁ
SEÇÃO DE OBRAS DO PARÁ
VEÍCULO: FOLHA DO NORTE
COLUNA; 3
PÁG: sem registro
CADERNO: sem registro
LOCAL: BELÉM
DATA: 11/08/1967
MANCHETE: FATOS E CURIOSIDADES DA HISTÓRIA DO PARÁ CCXXX 
457 - O MUSEU PARAENSE EMILIO GOELDI
AUTOR: ERNESTO CRUZ

     No sábado 25 de Março de 1871, aniversário do juramento da Constituição política do Império, foi instalado no edifício do "LICEU PARAENSE", pelo Presidente da Província Joaquim Pires Machado Portela, o MUSEU ETNOGRÁFICO E DE HISTÓRIA NATURAL. Aos visitantes foi mostrado um rico mostrador de 8 a 10 metros de comprimento, todo envidraçado correndo em cima e pelo meio uma linha de vitrinas. O "DIÁRIO DO GRÃO-PARÁ" na sua edição do dia 28, publicou amplo noticiário sobre as instalações do Museu. Esclarecia que em cima das lâminas de vidro estavam dispostos muitos objetos. Cada um dos repartimentos daquele mostrador estava ornado de grandes variedades de artigos entre os quais alguns curiosos que atraiam a atenção do visitante. Capacetes e outros ornatos de penas ocupavam três vidraças; um ídolo, um busto de argila, um aparelho curioso de tomar paricá, machadinhas de pedras e alguns outros artigos, todos pertencentes a tribos indígenas, ocupavam outras duas lâminas.
     Do lado da parede achava-se um bela coleção de minerais oferecida pela Repartição de Obras Públicas. No repartimento imediato estavam diversas amostras de cristais do Rio Branco e do Tapajós, de pedras deste último rio, do Pacajás etc., conchas, fósseis e um osso também fóssil do mesmo rio Tapajós. Esta mistura de artigos informava o jornal - não agradou. 
     Entre as conchas fósseis figuravam duas que alguns minutos antes foram oferecidas ao Museu pelo Bispo diocesano, que era um distinto cultor das ciências naturais. Esse presente foi acompanhado de uma nota escrita em Roma, de onde o trouxera o ilustre antistite. Dizia: "AMMONNITI ESISTENTI NEISTRATI CALCAREI DEL MONTE SUBASIO DE ASISI".
     O presente desses dois moluscos de que não existe hoje um indivíduo vivo era um dos mais preciosos objetos com que o Museu NASCENTE AQUELA DATA abria as suas portas ao estudo da ciência da natureza.
     Nas vitrinas encontrava-se uma pequena mas bonita coleção de serpentes conservadas em álcool, oferecida ao Museu pelo dr. A. J. Gomes do Amaral. Outros muitos objetos interessantes enriqueciam a coleção do Museu, entre os quais aqueles oferecidos pelo Major Antônio Nicolau Monteiro Baena, que concorreu com 28 artigos diversos.
     Assim estavam montadas as coleções do Museu no dia da sua INAUGURAÇÃO. A lei nº 713 de 12 de Abril de 1872 aprovou a criação do Museu de História Natural, estabeleceu o número de funcionários e marcou a quantia anual de DEZ contos de réis para a despesa do estabelecimento.
     No Relatório apresentado à Assembleia Legislativa pelo Presidente da Província dr. Pedro Vicente de Azevedo, em 15 de Fevereiro de 1874, constam referências SOBRE O MUSEU, que estaria atravessando fase pouco lisonjeira. O dr. Corrêa de Freitas encarregado de dirigir e inspecionar o serviço da nova repartição provincial enviou ao governo informações que traduziam as dificuldades por que passava a nova instituição. Dizia ele:
     "...si a província não pode custear o Museu com quantia superior a com que atualmente o custeia, então melhor pe VENDER-SE em ARRECADAÇÃO o que lá existe, despedir o preparador e o porteiro e FECHAR-LHES as portas; com que se lucrará a quantia de 2:160$000 reis mas isso SERÁ UMA VERGONHA PARA A PROVÍNCIA..."
     Prosseguia:
     "...si os poderes competentes não auxiliarem o Museu com a quantia que indiquei CINCO CONTOS DE REIS ou com maior, êste estabelecimento será no curso dos anos ou dos séculos, o mesmo que é hoje, isto é um Museu em miniatura". 
     O dr. Pedro Vicente de Azevedo atribuía à lei nº 713, que transformou o Museu de origem (sic) TEJO DOS EMPENHOS". O remédio para a situação difícil em que se achava o estabelecimento científico era, na opinião do Presidente da Província este:
     "Restituir ao Museu o seu antigo caráter de INSTITUIÇÃO PARTICULAR; protegê-lo forte e eficazmente por meio de dotações anuais suficientes. conservar a organização que lhe deu o ilustre Presidente dr. Portela em 1871 ampliando mesmo as faculdades e garantias estabelecidas nessa organização; e sujeitando somente as despesas do estabelecimento à uma rigorosa fiscalização por parte do governo; ou por sua ordem, do Tesouro provincial, quanto às somas votadas e a aplicação regular que tiverem; tais, me parece, são os meios de fazer renascer e prosperar o Museu Paraense hoje quase extinto e esquecido".
     Cinco anos decorridos, em 1879, o dr. José Coelho da Gama e Abreu escrevia no seu Relatório à Assembleia Legislativa provincial, estes comentários:
     "O Museu continua a viver uma vida acanhada    
     

sexta-feira, 16 de março de 2018

PARTE XI
DENUNCIADOS OS RESPONSAVES PELO DESAPPARECIMENTO DOS TROPHÉOS DA BRIGADA. (escrita da época)


    O 2.º promotor publico offereceu hontem, denuncia contra Marcolino Rothilde de Carvalho, ex-thesoureiro da Policia Civil, e Orlando de Mattos Guerra, como responsaveis pelo dessapparecimento dos trophéos da antiga Brigada Militar do Estado, caso que a imprensa tem noticiado mimuciosamente.
    Acham-se incursos, o 1.º nos penas do artigo 221, lettra B, e o 2.º nas do artigo 223, tudo da Consolidadção das Leis Penaes.
    Entretanto os inqueritos policiaes e o relatorio dos mesmos concluem não só pela responsabilidade dos denunciados, como pela do dr. Eduardo Chermont, ex-chefe de Policia, que havia conduzido do então quartel-general da extincta F. P. os trophéos para a sua repartição. (escrita da época)

Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 02 de 16 DEZ 1936 – Biblioteca Artur Vianna.

terça-feira, 13 de março de 2018

Parte X
Os Trophéos da Brigada e os responsaveis pela sua dispersão. (escrita da época)

    Vale a pena destacar o trecho do relatorio do dr. Salvador Borborema a proposito dos trophéos da Brigada Policial, em que o 3º delegado determina a responsabilidade dos individuos envolvidos na occorrencia.
  A reproducção justifica-se porque sendo aquelle documento de grande extensão, nem todos o puderam lêr.
  O trecho em questão é este: Deste modo a responsabilidade dos acusados pelo extravio dos objectos preciosos da antiga Força Publica, Marcolino Rothilde de Carvalho, dr. Eduardo Chermont e Orlando de Mattos Guerra, está patente dos autos, por terem elles incidido na sancção dos arts. 221, lettra B, o primeiro: art. 22, paragrapho unico, lettra A, o segundo, e, finalmente, o ultimo no art. 223, tudo da Consolidação das Leis Penaes.
  A avaliação dos objectos extraviados foi determinada pelas testemunhas da ausencia dos mesmos.
   Taes objectos estão perfeitamentes determinados, assim como o valor delles, todos de ouro, contendo pedras preciosas.
   As testemunhas Sebastião de Castro e Sila, Marcolino Lins de Aguiar, José Albino de Menezes, Napoleão Jansen de Sá Meirelles e desembargador Jorge Hurley e outras, affirmam que o valor de taes joias attinge a centenas de contos de réis. (escrita da época)

            Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 01 de 17 NOV 1936 – Biblioteca Artur Vianna.

domingo, 11 de março de 2018

PARTE IX
Ainda os trophéos da Força Publica O accusado da venda escapou á prisão pela porta do “habeas-corpos”. (escrita da época)

  Annunciou a imprensa que vinha ahi Marcolino Carvalho, ex-thesoureiro da Policia na administração Eduardo Chermont, preso na Parayba, á requisilção da Policia deste Estado.

   Como se não ignora, Carvalho é accusado de ter vendido os trophéos da Força Policial, locupletendo-se com o dinheiro.

    A sua presença aqui teria o effeito de pôr luz na muita escuridade ainda reinante no assumpto; mas uma ordem de “habeas-corpus”, impetrada ao juiz federal da Parayba restituiu-o á liberdade, permittindo-lhe lá ficar, sob o fundamento de que a requisição regular devera ter sido feita pelo governador e não pela Policia.

    É lastimavel que esse contratempo deixe por averiguar em todos os seus detalhes um facto que interessa a uma corporação inteira, privada criminosamente da posse de objectos que eram seu patrimonio de honra.

  Parece que a prisão pedida por via competente ainda podia ser requisitada, se Carvalho já não emprestou a perna da cotia para se pôr a salvo da cadeia.

   A verdade é que emquanto elle não for ouvido, ficam por ser conhecidos e punidos os seus cumplices, que, de certo, os teve. (escrita da época)



Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 2 de 13 JUL 1936 – Biblioteca Artur Vianna.

sexta-feira, 9 de março de 2018

PARTE VIII

Os Trophéos da Brigada Policial. (escrita da época)

     A bordo do “Manaus”, a chegar a 10 do corrente, vem preso da Parahyba do Norte, Marcolino de Carvalho, auctor da venda dos trophéos da Brigada Policial,em proveito proprio, segundo apurou a policia.
  Marcolino Carvalho, que era empregado da empresa das Aguas Maguary, passou a thesoureiro da Policia na administração Cesar Coutinho, mas commetteu o seu “fortait” na administração Eduardo Chermont.
    Ouvimos que, logo que passa ser ouvido pela justiça, fará a esta declarações importantes, com referencia á posse e venda dos ditos objectos, declarando quem fôram os conniventes. (escrita da época)

Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 01 de 08 JUN 1936 – Biblioteca Artur Vianna.

quinta-feira, 8 de março de 2018

PARTE VII
Os Trophéos da antiga Brigada Militar do Estado. (escrita da época)

    Prossegue na 3.ª delegacia auxiliar o inquerito para apurar a responsabilidade do desaparecimento dos trophéos pertencentes á antiga Brigada Militar do Estado, estando o dr. Salvador Borborema, conforme noticiamos hontem, na pista segura dos responsaveis. 

    Parecendo certa a culpabilidade do ex-thesoureiro da Policia, de nome Marcolino Rothildes de Carvalho, ora residindo em Fortaleza, achamos que o dr. Borborema deve pedir o quanto antes á Policia do Ceará a remessa de Marcolino, para cá, uma vez que sua familia, aqui residindo, pode muito bem informal-o do inquerito a que se vem procedendo, dando ensejo a que elle desapareça de Fortaleza.

    Em seguimento ao inquerito actual, o dr. chefe de Policia bem poderia mandar verificar, também, o fim que levou a bandeira brasileira confeccionada com a mais oura sêda e bordada a ouro, offerecida á Brigada pelas senhoras bahianas, assim como o desaparecimento da grande quantidade de louça, aliás, fina, pertencente á milicia, e tambem desapparecida logo após a victoria da revolução de 1930. (escrita da época)

 Fonte: Jornal Folha do Norte, pag. 01 de 01 MAR 1936 – Biblioteca Artur Vianna