quarta-feira, 22 de junho de 2016

Origens remotas do Batalhão de Choque da Polícia Militar

A História da Polícia Militar do Pará, com quase 200 anos de existência, é repleta de fatos que ainda estão a serem revelados à sociedade e à própria corporação.
Um desses fatos é a criação de um remoto Pelotão de Choque, nos anos de 1944, pelo Chefe de Polícia, Moura Carvalho. Abaixo, temos a imagem do Chefe de Polícia com o pelotão de choque.

Imagem 01: Moura Carvalho com o Pelotão de Choque da PM - 1944

Esse Pelotão é a referência  mais antiga do que é hoje o Batalhão de Choque da PMPA, que funciona na Avenida Fernando Guilhon, entre as Travessas 14 de Março e Alcindo Cacela.

Vê-se na imagem que o uniforme era constituído de boné (quepe), túnica branca, com talabarte e cinto (cujo armamento ficava disposto à esquerda), calça e sapatos. Não foi possível identificar as cores da indumentária. Apenas um dos militares está na fotografia utilizando bota (possivelmente membro do Esquadrão de Cavalaria), bem como esse militar é o único que não utiliza talabarte, cinto e coldre, mas é o único que está de gravata.

Desse período até os anos de 1990 quando é criado o Batalhão de Choque da PM, temos a referencia da criação de um Pelotão de Choque, conforme publicado no Diário Oficial do Estado do Pará, nº 20.677 de 19 NOV 1965, da Lei nº 3.429 de 05 NOV 1965 que fixa o efetivo da Polícia Militar do Estado para o exercício de 1966 e dá outras providencias:
Art. 7º A Companhia de Guardas terá o efetivo de dois (2) Pelotões de Policiamento, dois (2) de Tráfego, um (1) PELOTÃO DE CHOQUE e uma (1)Secção de Comando.


Moura Carvalho, Chefe de Polícia, em visita à Polícia Militar. A seu lado o Cmt dessa Unidade, Cel Ney peixoto e oficiais da Corporação, em 1944.  Fonte: Magalhães Barata, o Homem, a Lenda o Político - Vol. I.

Referências:
Imagem 01: CRU
Imagem 02:

20ª Reunião de Historiadores da PMPA

Reunião da Equipe
Foi realizada na tarde de ontem, 21/06/2016, na sala de reuniões do Chefe do Estado-Maior Geral da PMPA, a 20ª Reunião do Grupo de Trabalho em História da PM.
Cel PM Saraiva e Profª Wania Viana
A equipe composta pelo CEL PM SARAIVA, Chefe do EMG; TEN CEL PM GABRIEL, Diretor do Museu da PM; TEN CEL PM RR RUFFEIL, MAJ PM CHARLET, CAP PM GAUDÊNCIO, 1º TEN PM ALBERTO e 1º TEN PM ISMAEL vem se reunindo desde o mês de setembro de 2015, em cujas reuniões são definidas ações de proteção do patrimônio histórico da PM. Entre as ações, destaca-se a instalação  de uma "Sala da Memória" no Comando Geral da PM, na Rod. Augusto Montenegro.

Cel PM Saraiva e Ten Zeferino visita à Sala da Memória
A reunião contou com a presença de dois professores universitários: a Profª M.Sc WANIA ALEXANDRINA VIANA, da Unama; e o Prof. Esp. MÁRCIO RAMON CAMPELO RAMOS, ambos estudiosos de História Militar regional.
Na oportunidade, foram discutidas ações e iniciativas que devam ser tomadas acerca da preservação do patrimônio histórico documental da PM que, uma parte considerável, passou pelo processo de digitalização perfazendo um total de 139 documentos (códices e livros).
Ten Zeferino relatando sua história na PM
Concluída a primeira fase da reunião, iniciou-se a entrevista do 2º TEN RF ZEFERINO, Policial Militar que incluiu nas fileiras da corporação em 1963 e passou pelo menos 20 anos atuando no Exército Brasileiro a serviço da PM, mantendo o cadastro de Policiais Militares mobilizados em ordem para, se necessário, subsidiar a atuação da força terrestre.

O Tenente Zeferino lembrou do cotidiano do trabalho policial, entre os quais a ausência de férias, o fato de haver tirado 48 serviços de guarda no Presídio São José, de ter incluído numa tropa Policial Militar e ter sido designado a servir na Cavalaria da PM, cujo prédio em 1963 era na Avenida Alcindo Cacela com a Rua Conceição, na Cremação.

Créditos:
Fotografia Voluntária Civil Rayara.

Informações:
Todas às terças-feiras, a partir das 15h00 ocorre a reunião. Os interessados em participar deverão procurar o Coronel PM Saraiva, Chefe do Estado-Maior Geral ou qualquer um dos demais participantes.

Doação de peças para o Museu da PM:
De segunda a sexta-feira, das 09 às 16h, na Secretaria do EMG.



quinta-feira, 9 de junho de 2016

Diferença Básica entre um Soldado PM e um Soldado EB

Jornalista:

- General, qual a diferença básica entre um Soldado do Exército e um PM?

General: 
- Não tem diferença. Tem diferença de regime e de destinação. O policial militar tem um emprego para a vida toda, ele vai trabalhar uma vida como policial militar. O soldado (do Exército) quando empregado em operações de garantia da Lei e da Ordem, ele tem um tempo pra ficar. Então, ele pode ser mais exigido. Até porque o nosso regulamento permite isso. Nós rodamos... Como nós somos preparados pra fazer a guerra, e na guerra são 24 horas. Quando nós vamos pra uma operação dessa, se necessário, nós vamos virar o tempo todo. Nós vamos rodar 24 horas o soldado. Então essa é a diferença básica. Você não pode exigir dum policial militar, que não é aquartelado, o nosso soldado é aquartelado. Você não pode exigir dele a mesma coisa que se exige de um militar das forças armadas ...



RELEMBRANDO: I CURSO DE POLICIAMENTO EM GRANDES EVENTOS

A Polícia Militar do Pará realizou na manhã do dia 09/06/2014, segunda-feira, no auditório do Comando Geral da corporação, a aula inaugural da primeira edição do Curso de Policiamento em Grandes Eventos.

Àquela época, a OPM nascia simultaneamente com a realização do seu primeiro curso, necessitando qualificar policiais militares para a atuação em diversos eventos de médio e grande porte, bem como em mega eventos cada vez mais frequentes na capital, região metropolitana e mesmo nas diversas regiões paraenses.

O curso teve a preocupação de preparar os discentes para o atendimento de vários tipos de eventos: fossem eles de caráter desportivo, cultural, religioso ou mesmo os de cunho solidário ou de outras motivações.


Fotografia: Esther Beltrame / Ascom


O primeiro curso contou com 240 alunos, todos oriundos das tropas dos comandos de policiamento da capital e da região metropolitana.

A carga-horária desse curso teve 242 horas-aulas de atividades, com disciplinas e atividades ministradas por pessoas que organizam eventos de grandes proporções em Belém.

Entre os palestrantes, estiveram os organizadores do Círio de Nazaré, do Campeonato Paraense de Futebol e de festas que envolvam um número expressivo de participantes, como é o caso da Festa da Chiquita e do Festival de Iemanjá.

Na solenidade de abertura do curso, estiveram presentes o coronel Arthur Moraes, Diretor de Ensino da PMPA; os tenentes coronéis Sadala e Cavalcante, além dos Majores Luiz Octávio e Charlet, todos envolvidos na organização da capacitação.

No desenho curricular do curso estavam contidas as disciplinas: Aspectos Constitucionais dos Grandes Eventos, Direitos Humanos, Principais Tipos Penais envolvidos nos Grandes Eventos, Estatuto do Torcedor e Atuação Policial, Sistema de Comando de Incidentes, Aspectos Psicológicos das Emergências, Atendimento Pré-Hospitalar, Controle de Distúrbios Civis - CDC Aplicado em Grandes Eventos, Imobilização Tática e Emprego de Tonfa, além de Técnica de Abordagem.

Situação Atual:

Fruto dessa qualificação e da melhoria continuada do Batalhão de Eventos - BPE neste ano de 2016 foi a elaboração do "Guia de Recomendações para Atuação das Forças de Segurança Pública em Praças Desportivas", conjunto de normas que vem sendo utilizado no Batalhão desde o mês de junho/2016, quando da realização de partidas de futebol do campeonato paraense realizadas no Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão).
Entre as inovações do Guia está a otimização na distribuição do efetivo e a utilização de detectores de metais durante as revistas aos torcedores, o que permite aumentar os níveis de segurança proporcionados aos torcedores que acorrem às partidas de futebol.
Fonte: Assessoria de Comunicação da PMPA, junho/2016


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Polícia e Patrimônio: o dia em que a PM prendeu Inri Cristo em Belém

A Polícia Militar do Pará com quase 200 anos de existência teve participações históricas em muitos eventos críticos entre os quais a prisão em Belém de Inri Cristo, em 1982.

Era ainda a época denominada de Ditadura Militar, momento em que a abertura "lenta e gradual" não tinha mais como ser impedida e quando a tropa ainda era conduzida no caminhão "tomara-que-chova". 

Esse era o tempo da contestação e de enfrentar o sistema, pois dentro de mais dois anos a escolha de um presidente civil estaria certa no colégio eleitoral.

Era fevereiro de 1982 e as forças de esquerda se agrupavam em torno de Jáder Barbalho para o governo do Estado, produto de uma ampla aliança entre o MDB (PMDB), forças políticas que vieram a compor o PT, PCB e as alas dissidentes da Arena (PDS) como era o caso do então governador Alacid Nunes que rompia com Jarbas Passarinho e deixara de apoiar Oziel Carneiro para o governo do Estado.
Imagem 02: Inri Cristo em cima do tomara-que-chova

Os tempos eram outros e a ordem instituída desmanchava-se, e a PM daquela época estava espraiando-se em um novo modelo de policiamento - a instalação de cabines de fibra - denominado de PM-Box.

Era domingo, 28/02/1982, último dia daquele mês, muitas pessoas católicas compareceram à Igreja da Sé, quando por volta das 08h00 da manhã uma multidão entrou na Igreja, liderados por Inri Cristo e puseram o vigário pra correr. Imaginem uma coisa dessas! (A democracia não era para tanto).

Imagem 3: PM retirando as pessoas da Igreja da Sé
Um domingo normal se não fosse esse episódio que, com certeza, colocou Belém em destaque nacional e internacional, pois as estruturas eclesiásticas estavam agora abaladas. Quem diria, Belém do Círio de Nazaré! Às voltas, agora, com Inri Cristo quebrando imagens e expulsando vendilhões do templo como há quase dois mil anos atrás.

Como questões sociais eram problemas de polícia, o religioso seguiu o mesmo caminho e a PM foi chamada. Há que se recordar o leitor que não tínhamos celular, twiter, uatizapis e outras parnafenálias de hoje em dia. Então, quem queria crer tinha que ver, ou correr às bancas no dia seguinte para ver tudo estampado no O Liberal ou no A Província do Pará.
Imagem 4: Inri Cristo no "tomara-que-chova"

A PM comandada pelo Tenente Watrin fez a prisão de Inri Cristo e o conduziu para "nos rigores da lei" responder pelos seus atos. 

Com certeza essa operação não foi fácil e, também, ao que parece Inri não foi algemado e ainda pode utilizar da plataforma do caminhão "tomara-que-chova" para ir abençoando as pessoas por onde passava. 

A dificuldade devia ser tanta que somente por volta das 20h00 que Inri Cristo deu entrada preso no Presídio São José, atual Polo Joalheiro "São José Liberto". Também, não existia computador e a máquina de escrever, em geral manual, reinava absoluta na burocracia da polícia judiciária. Ctrl+C e Ctrl+V nem pensar! Era tudo à base de papel carbono para as cópias e, bastava errar o cabeçalho pra começar tudo de novo (reiniciar e resetar naquela época era reescrever tudo novamente). Que era "safo", sempre digitava um "digo, digo, digo" ou ainda no final: "onde se lê ..., leia-se".
O portal da SOUST, Sagrada Ordem Universal da Santíssima Trindade, organizada por Inri Cristo e sediada em Brasília-DF credencia esse episódio como "Ato Libertário de 1982", com uma cobertura completa do episódio e rica em imagens - vale a pena conferir.

Analisando as imagens, percebe-se que o caminhão "tomara-que-chora" era do 2º BPM como se pode notar na pintura na porta do veículo. Nem todos os PM's utilizavam cadarço de identificação e havia uma diferenciação entre os PM's que utilizavam boinas e os que utilizavam gorro de pala (chamado caixa de sapato pelo formato quadrado). Alguns utilizavam braçadeiras no braço direito e não havia nos uniformes a camisa de dentro (suadeira), brasão da PM e miniatura da bandeira do Pará nas mangas das camisas.

Possivelmente a braçadeira tinha como símbolo o "Cérbero" (cão mitológico de três cabeças que guadava a porta do inferno), pois não existia ainda o Btl de Choque, criado somente na década de 1990. 

Crédito das Imagens:
Imagem 01: FONTES, Edilza
Imagens 02, 03 e 04: SOUST

terça-feira, 7 de junho de 2016


1ª Reunião da Equipe responsável (Cel Saraiva, Tc RR Ruffeil, Maj Charlet, Cap Gaudêncio, Ten Ismael e Ten Alberto), em Resgatar a História, a Preservação do Patrimônio documental (Livros Centenários) através da digitalização e Implantação do Museu da Polícia Militar do Pará, em 28 SET 2015 no Gab. Ch EMG,  

    O 1º Batalhão Auxiliar da Força Publica constituido de  17  officiais e 441 graduados e praças , segue hoje para o sul da  Republica ...